A partida de Gal Costa

(Foto: Julia Rodrigues/Divulgação)

Nome gigantesco da música, Gal Costa faleceu ontem, 9 de novembro, aos 77 anos. A cantora, inquieta, iniciou sua carreira, muito jovem, em muito por seu fascínio por João Gilberto, se manteve ativa até o final de sua vida e se apresentou até poucos meses antes de sua morte.

No IV Festival de Música Popular Brasileira, realizado no Teatro Record. 

Com 58 anos de carreira, 31 álbuns de estúdio, e registros ao vivo como o maravilhoso Fa-Tal - Gal A Todo Vapor,   a obra de uma das vozes mais poderosas da música mundial, não só do Brasil, merece, muito, muito mesmo ser conhecida, admirada, descoberta ou redescoberta.

Ao vivo antológico da cantora bahiana.

Sem medo de ousar, a cantora se posicionou contra a ditadura militar brasileira, a mesma que não foi punida por seus crimes contra a humanidade, e que ainda semeou os covardes que pairam no planalto desde 2018, e felizmente estão de partida. Teve álbuns censurados e expressou suas vontades em um período que tanto atrasou a vivência do brasileiro.

India, de 1973, teve a capa censurada pela ditadura militar.

A soteropolitana cantou tudo o que pôde, tudo o  que quis, vivenciou vários estilos, e escolhia a dedo suas parcerias com outros artistas. Interpretou canções de Jards Macalé, Tom Jobim, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Erasmo Carlos e muitos outros. Por influência de sua mãe, cresceu rodeada de muita música, como contou em entrevista ao programa MPBbambas, do Canal Brasil. 

Gal junto a mãe, Mariah Costa Pena.

Com uma partida tão súbita, foi-se embora um pedaço da música brasileira, uma história viva que estava aqui para se contar. Em meio a uma turnê (ainda que remarcada) e com seu álbum mais recente lançado em 2021, ninguém acreditou que Gal Costa havia morrido. Passado o choque, é extremamente necessário celebrar a vida da cantora. Uma despedida sem tamanho.




Zeone Martins 

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