E Catharsis, do Machine Head, é um disco ruim?


Catharsis, do Machine Head, faz 5 anos hoje, 26 de janeiro. 9° disco do grupo, foi jogado em todo tipo de polêmica, até entre os integrantes da banda, assim que foi lançado. De tanto ler reviews batidos, copiados mesmo, fica uma dúvida: seria Catharsis tão ruim assim?

De cara, "Volatile" e "Catharsis" abrem o disco de formas distintas: a primeira, ríspida, pesada, comentando a ascenção de movimentos neo-fascistas e, vale lembrar desfiles de nazistas, a céu aberto mesmo,  em solo americano, a segunda, alternando passagens mais tranquilas, outras mais melodicas com o estilo mais tradicional do grupo. "Beyond The Pale", em seguida traz um riff que segue uma linha mais semelhante ao que o Korn faz, tanto em tonalidade e timbre, quanto em seu ritmo, algo que, também trouxe críticas batidas sobre grupo de Robb Flynn apresentar uma sonoridade mais próxima ao nü metal, algo que já havia acontecido nos trabalhos de 1999 e 2001: The Burning Red e Supercharger.



"California Bleeding" segue o bom fluxo do álbum, e "Triple Beam" também em vocais falados e riffs com base no metal alternativo e, se funciona aqui, qual o problema? Porém, logo após começam as derrapadas:  a intro de "Kaleidoscope" soa deslocada, mas é curta, não compromete a audição da faixa por completo, fora que o trecho aparece com uma levada mais interessante no meio da música. Já "Bastards", mesmo com uma letra muito boa, não acerta em seu instrumental animado, calcado no punk, algo seco e que desse destaque aos vocais poderia funcionar melhor. Outra mancada, desta vez quase por completo  acontece na penúltima faixa do trabalho, "Razorblade Smile" cuja trabalho lírico é péssimo, quase adolescente e o resto da faixa também não compensa.

"Hope Begets Hope", "Screaming At The Sun" voltam a levantar o clima do álbum, com peso e bons arranjos. Por sinal, por pior que fosse o clima interno da banda, Dave McClain tem um ótimo trabalho na bateria do disco, talvez o maior desfalque que a banda teve após a tour do álbum e, talvez em toda sua carreira. "Behind The Mask" um ótimo trabalho acústico e "Heavy Lies The Crown", densa, são outros destaques de Catharsis, valendo mais atenção de quem ainda não conferiu o disco. Fora "Razorblade Smile", já citada, a parte do final do trabalho segue com acertos.

E chegando ao fim audição, e a resposta ao questionamento da introdução: Catharsis é um trabalho com muito mais qualidades do que a crítica e boa parte do público afirmam. Com certeza, um disco mais interessante que o antecessor,  Bloodstones & Diamonds, um trabalho mais de transição, que não acrescentava muito à discografia do grupo. Com experimentações e boas sacadas do grupo, talvez tenha faltado um produtor que enxugasse o registro do que, de fato, não funciona. Ainda assim Catharsis vale muito mais a audição do que se dá crédito. Deixe os reviews "Ctrl+c, Ctrl+v", Trumpistas e redatores preguiçosos de lado: Catharsis é um acerto na carreira do Machine Head.




Zeone Martins 

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