E o mundo perde David Crosby


Dias difíceis para quem acompanha o mundo da música. Hoje, infelizmente, irremediavelmente, num golpe sem tamanho, faleceu David Crosby (1941-2023)

Com um início de carreira no sensacional The Byrds, o americano interpretou versões, das muitas, irrepreensíveis, de Bob Dylan, escreveu hits do cancioneiro estadunidense, trafegou entre o pop, o folk, o rock e a psicodelia, em cinco discos, essenciais para qualquer coleção: Mr.. Tambourine ManTurn! Turn! Turn!Filth Dimension, Younger Than Yesterday e boa parte de The Notorious Byrd Brothers, lançado após sua saída. No inquieto grupo, Crosby era responsável por brilhar as canções com belos arranjos vocais, em harmonia, que faziam sua presença, muito questionada por sua teimosia, chegando até a alterações com outros integrantes, ser mantida para não interferir no crescente sucesso do quinteto (posteriormente quarteto, sem o também sensacional Gene Clark).


Crosby escreveu canções que foram gravadas tanto por outros artistas, como "Wooden Ships", com uma maravilhosa versão em Surrealistic Pillow, do Jefferson Airplane, quanto em sua carreira solo, quanto no sublime trio Crosby, Stills & Nash, ou CSN, junto de Stephen Stills e o inglês Graham Nash, do The Hollies com uma fenomenal estréia no disco homônimo, de 1968, ou com a adição de Neil Young, a época em carreira solo e egresso do Buffalo Springfield (que também era integrado por Stills), no Crosby, Stills, Nash & Young, que registrou Déjà-Vu, em 1969, além do ao vivo 4-Way Street, ambos fenômenos de vendas e dominando plateias gigantescas por onde passassem.



David Crosby manteve a parceria com Graham Nash, no duo Crosby & Nash, com discos lançados até 2004, colaborou com Joni Mitchell e muitos outros artistas, além de se reunir esporadicamente com o CS&N até desentendimentos maiores encerrarem o grupo, com o cantor, guitarrista e violonista se dedicando a uma maravilhosa carreira solo.


Com um merecido destaque para o trabalho solo de Crosby, que foi iniciado com If I Could Only Remember My Name, de 1971, trabalho intenso gravado logo após a perda da namorada do cantor em um acidente, foi retomado em 1989 com Oh Yes I Can, seguiu com Thousand Roads, de 1993 e iniciou o brilhante período final da carreira do artista, com os sensacionais Croz (2014), Lighthouse (2016), Sky Trails (2017), Here If You Listen (2018) e For Free (2021).



Nos últimos anos, vendeu os direitos de composição de todo o seu catálogo e  conversava abertamente sobre a morte, consciente de que passava por seus últimos momentos na terra, tendo inclusive declarado isto en sua mais recente entrevista divulgando o ao vivo David Crosby & The Lighthouse Band Live at the Capitol Theatre, de 2022. 

Com uma extensa e vívida obra, David Crosby deixou o mundo aos 81 anos. Nunca haverá alguém como ele. Descanse em paz.




Zeone Martins 


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